Sonhado

Sonhei ou fui sonhado,
já não sei.
Já não me lembro de estar acordado
quando alguma pálpebra piscava
o adiamento do dia
na madrugada tardia
em que me esvaía
do sono abortado.
Sonhei- ou me sonharam
um corpo, alma, amor, cueca
ou ideologia de griffe
que acariciava meus quadris
roçava meu nariz
e me empurrava a dormir
no pesadelo acordado.
Já de pé
em acordo consumado
despertaram meu sono
e a um infinto prazer medonho
me acamaram – ao sonho atado.
Sonhei então que despertava
de um sonho jamais vivido
porém
em vigília por espera consumido
acordei
na alheia memória que o criava.
Sonho agora que cochilava
para acordar o sonho
que eu matava.

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